Qualidades: curiosa, direta e ambiciosa.
Defeitos: controladora, exigente e teimosa.
001. Juna descobriu cedo demais que 1,80 era uma altura excelente para uma passarela e péssima para uma adolescente cercada por colegas que ainda não tinham crescido o suficiente. O bullying veio primeiro, a moda logo depois, e transformar aquilo que a fazia se sentir deslocada em uma oportunidade pareceu a resposta mais óbvia. Tornou-se modelo ainda jovem, entrou em desfiles durante a adolescência e passou boa parte do início da vida adulta entre fittings, castings e camarins.
Só que nunca foi a passarela que a encantou. Eram as roupas, os designers, a construção de uma coleção e tudo aquilo que existia por trás dos poucos minutos em que uma modelo atravessava uma sala. Juna gostava da moda; não necessariamente de apresentá-la ao público no próprio corpo.
002. Foi na Dongduk Women's University que começou a transformar aquela curiosidade pela moda em alguma coisa que pudesse chamar de carreira. Continuou próxima dos desfiles enquanto estudava, mas passou a prestar muito mais atenção nas decisões que aconteciam longe das passarelas: quem financiava determinadas coleções, como uma tendência chegava às ruas, por que alguns designers locais desapareciam enquanto outros ganhavam espaço internacional.
A ideia de escrever sobre moda veio como uma extensão natural dessa curiosidade. Juna descobriu que gostava mais de perguntar "por quê?" do que simplesmente dizer se uma coleção era bonita. E, quando percebeu que podia falar sobre design sem precisar vestir as roupas, já estava procurando uma porta de entrada para o jornalismo.
003. Começou no meio dos desfiles e, eventualmente, encontrou o jornalismo de moda. Passou pela InStyle Korea, teve uma passagem curta pela High Cut Magazine e, depois, encontrou na Vogue Korea o espaço que procurava.
São sete anos como redatora e os últimos três como editora, o que significa que sua carga de trabalho cresceu na mesma proporção em que seu nome passou a ser associado ao conteúdo que produz. Hoje, Juna escreve, edita, participa de reuniões, acompanha coleções e encontra alguma maneira de transformar até os poucos dias de férias em uma desculpa para assistir a mais um desfile.
Férias de verdade, aliás, precisam ser praticamente impostas. Ela é o tipo de pessoa que precisa de alguém para lembrá-la de que o mundo da moda continuará existindo mesmo se passar uma semana sem a sua supervisão.
004. Juna não tem grandes problemas em admitir que escolheu o trabalho antes de quase todos os relacionamentos que teve. Não necessariamente por falta de amor, mas porque nunca conseguiu enxergar sentido em reorganizar uma vida que já funcionava perfeitamente para acomodar alguém que exigia mais espaço do que ela estava disposta a oferecer.
Os relacionamentos acabaram, um depois do outro, e Juna não os considera grandes tragédias. Ela gosta da própria companhia, gosta de trabalhar até tarde, de viajar sozinha e de passar um domingo inteiro entre o spa e a banheira da sua casa, livre de qualquer perturbação.
005. Se existe alguma coisa que ela não aprendeu a tratar como prioridade secundária, entretanto, é a maternidade. Uma decisão que tomou em silêncio, sem aceitar nenhum questionamento ou opinião. Nem amigos, nem colegas de trabalho, nem sequer os pais — e principalmente a mãe, que continua acreditando que uma mulher na casa dos trinta precisa começar a pensar seriamente em casamento antes que seja tarde demais.
Juna nunca sentiu a mesma urgência. Não precisa de um marido para considerar a própria vida completa, tampouco pretende inventar um relacionamento apenas para preencher o papel que esperam dela. Mas quer ser mãe.